Lunda Tchokwe

Os Tchokwe / Chokwe desfrutam de uma admirável tradição de esculpir máscaras, esculturas e outras figuras. A sua arte inventiva e dinâmica, é representativa das várias facetas inerentes a sua vida comunitária, dos seus contos míticos e dos seus preceitos filosóficos. As suas peças de arte gozam de um papel predominante em rituais culturais, representando a vida e a morte, a passagem para a fase adulta, a celebração de uma colheita nova ou ainda o início da estação de caça. O nome Tshokwe apresenta algumas variantes (Tchokwe, Chokwe, Batshioko, Cokwe) e, entre os portugueses, ficaram conhecidos por Quiocos . "Nesta pagina podemos usar qualquer variante do nome Tshokwe (acima referido)"

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sexta-feira, 26 de junho de 2015

Depois d`Ausencia





Depois de cerca de um ano e oito meses sem actualizar este Blogue, anuncio que estou de volta para o fazer sendo que, este é o blogue que me fez ganhar este maravilhoso livro, ALDEIA DE DEUS (Tchehunda Tcha Nzambi) que me foi ofertado pela Lueji Dharma (Autora do Mesmo).

Obrigado à Lueji Dharma e todos os leitores deste Blogue!



sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Casamento na cultura tradicional tchokwé

Imagem in: africafederatin.com
A honra, a dignidade e o relacionamento entre as famílias facilitava a aproximação de pais ou tutores do pretendente à família da jovem amada, longe das brincadeiras de infância, terminadas de forma precoce, por altura da passagem pela circuncisão e transcorrido o primeiro ciclo menstrual. 
 O sucesso do diálogo visava a efectivação do noivado, uma espécie de namoro com compromisso de casamento, que obrigava à parte solicitante a entrega de um tributo, o alembamento, traduzido num prato e uma enxada. Marcada a data para o casamento, as duas famílias barravam as caras dos noivos com terra vermelha, húmida, em rituais separados, para proteger o casal de forças maléficas, selando a cerimónia do noivado.
  Levada às costas por uma tia, para a casa do noivo, com a parte superior do corpo coberta por missangas e um pano na parte inferior, a noiva, com um rabo de boi numa das mãos, caminha protegida por um guarda-sol, rodeada por membros da sua família, levando uma enxada e um prato. Um palhaço encabeçava a marcha, alternando a corrida com danças e gestos que atraíam a atenção dos transeuntes, além de anunciar a chegada da nubente e familiares à casa do noivo. 
 A recepção da delegação decorria num ambiente de festa, cuja duração dependia das possibilidades económicas dos organizadores. O cenário é dominado por música e dança, com garantia de alimentos e bebidas. A festa culmina na casa dos recém casados. Os familiares da jovem casada prepararam um enxoval representado por louça, recipientes para água e alimentos para suportar os primeiros sete dias do casal. 
 No fim dos sete dias é autorizado o regresso provisório da esposa à casa paterna antes de assumir as lides domésticas, efectivado o regresso definitivo à sua nova casa.  

Expectativas de procriação

Durante dois anos as famílias aguardam por uma gravidez da jovem casada. A ausência de qualquer indício obriga à procura de um curandeiro para analisar a situação e submeter a parte afectada (marido ou mulher) a tratamento. Um toque manual à boca do útero para detectar anomalias do seu posicionamento marca o inicio de uma observação minuciosa do quimbanda à jovem, antes do tratamento efectivo, durante quatro dias, via de regra, à base de infusão de folhas de plantas medicinais. 
 No caso de suspeita de anomalia no homem, o esperma resultante de uma masturbação forçada é colocado num pano preto, fazendo a vez de uma lâmina de laboratório. É então feito o teste de vitalidade, por pessoas de reconhecida experiência, por sucessos em vários tratamentos feitos a pessoas com problemas do género. O temor pelo provável insucesso no tratamento à jovem esposa, preocupa o seu irmão mais velho, porque pode ditar que seja devolvida aos pais, por familiares do marido, comprovada a sua esterilidade irreversível. 
 De acordo com o historiador Américo Samutunga, a opção pela poligamia minimizava a situação. Nestas circunstâncias “o número de esposas assumidas dependia das possibilidades do marido que tinha a obrigação de efectivar a igualdade de tratamento entre ambas”. 
 O feitiço que cada uma possuía, longe de constituir ameaças a inocentes, visava a protecção dos lares. Américo Samutunga referiu que a esterilidade masculina tinha atenuantes. “A continuidade do casamento dependia da vontade e consideração da família da esposa, expectante num milagre” para inverter o quadro. 
 Tais princípios, segundo o historiador, modelaram a forma de ser e estar das comunidades. As influências extra-regionais a partir de 1975, alteraram hábitos e costumes vigentes nos distintos domínios da vida social dos Lunda Tchokwé. 
 O rei Mwene Mwatxissengue Watembo, casado há mais de 50 anos no sistema tradicional, condena a perda de originalidade em várias famílias lundas, reféns da ganância em detrimento da honra e dignidade, convertendo os pedidos de casamento feitos às filhas como oportunidade para enriquecimento. 
  “A perda destes e outros valores da cultura na região, acentuou a ocorrência de mortes jamais notificadas no passado”, sublinhou, convicto o rei Mwene Mwatxissengue Watembo. 
 O soberano nota que após o casamento, os nubentes tinham quatro dias para a lua-de-mel. Uma bacia de fuba, galinha trazida pela família da noiva, para provar os seus dotes na cozinha, e autorizar da posse da casa, marcavam a última confraternização na etapa depois do casamento.

In: Jornal de Angola 

quarta-feira, 28 de março de 2012

A Pintora da Lunda

Num banco de madeira tradicional, uma senhora pintava uma tela em tons laranja. Nessa tela via-se um leão morto sob a lança de um homem alto e esguio; o caçador mantinha orgulhosamente o pé sobre a cabeça do leão e olhava para a sua amada, cuja felicidade era evidente. As árvores da savana pareciam ser tremendamente pequenas perante aquele arte de bravura. Ao olhara com maior atenção constatou semelhanças com os mesmos personagens do quadro dos amantes, à margem do rio. Riu-se da metáfora do Leão. Parecia-lhe que o homem que viria a ser o seu amado, esmagaria o Leão para liberta-la daquela prisão.
- Boa tarde minha senhora amei esse quadro.
- Imagino que sim. É o Leão que a cativa, não é? – disse a velhota com uma voz arrastada fitando-a nos olhos. Lueji, por sua vez não podia acreditar.
- É … mesmo … o Leão – gaguejou enquanto descortinar como a senhora decifrava-lhe a mente
- O Leão é uma força muito poderosa na Natureza que deve ser respeitado; mas nunca venerada, minha querida. Quando veneras o poder do Leão tornas-te sua presa e ele vai usar-te sempre. Por isso, quando somos dominados por uma Leão, só temos uma hipótese: Abatê-lo, para seguir em frente.
- Podemos evita-lo – sugeriu à procura de uma solução menos drástica.
- Fugir? Isso não é soluça. O Leão fareja a quilometro, minha querida. Uma vez presa,para sempre presa.
Ele ainda de avião – disse a rir, lembrando-se que Leão Magno estava noutro continente.
O Wayami encolhia os ombros e ria-se daquela conversa absurda sobre um leão. Acabou por se afastar, para ir cumprimentar os senhores que estavam sentados à sombra de um cajueiro.
- Querida, estava à tua espera –disse Utima libertando um suspiro de alivio.
- À mina espera, como assim? – desconfiou tentando encontrar alguma lógica naquelas palavras.
- Utima levantou-se lentamente, apresentando um corpo frágil e débil. Entrou para a cubata em adobe e palha. Convidou-a a entrar para um espaço onde o cheiro do barro misturava-se com o das tintas.
- Bem-vinda à minha humilde casa, minha filha. A cubata era pequena, mas muito arrumada e apresentava quadros ordeiramente pendurados em algumas paredes.
- Eu sei que estou a morrer, filha. Urge passa conhecimento a quem possa garantir a sua perpetuação.
- A morrer? – disse Lueji, aflita. Não diga isso…
- Sim filha. Todos temos a nossa hora. Ainda, o ano passado foi o teu avo, não foi?
- Foi, sim – confirmou tristemente e envergonhada por n’ao ter estado no óbito.
- Esperamos por ti ma não vieste…
- Não pude mesmo – explicou recordando-se não possuir realmente nenhuma justificação plausível  a não ser motivos profissionais.
- Eu sei afirmou pesarosamente – e porque vieste agora?
- Uma longa historia que está relacionada com os seus quadros.
- Com os meus quadros? – questionou Utima surpreendida.
- Sim! Os que desapareceram…
- Ai é? Zambi sabe maemo o que faz minha filha. Foi a forma que Ele encontrou para nos juntar. Mas como chegaste ate mim? Como soubeste das obras?
- Uma historia complicada – recordou Lueji – no entanto de forma resumida posso dizer que encontrei um rapaz que estava na posse de um conjunto de informação. Nessa informação estavam as fotos dos seus quadros.
- Deve ter sido o pobre do Kieza. Faleceu recentemente, não é? – disse enquanto enchia o copo de maruvu. Bebeu um trago e sentou-se calmamente num banquinho de madeira onde estavam esculpidos alguns motivos florestais. Fitou Lueji com um ar calmo e comprometido;- dói demais quando perdemos jovens desta forma-desabafou enquanto puxava outro banco para Lueji.senta-te filha! Temos muito por conversar- disse deixando as lágrimas jorrarem pelo seu rosto. Estamos a perder-nos! – desabafou deixando escapar a desolação que lhe assolava a alma.
- Acho que não pode tirar coclusoes precipitadas, niguem percebeu bem ainda p que se passou.
- O que se passa é bem simples, nós temos a chave para chegar à Aldeia de Deus. E eles querem que essa chave se perca.
- Mas se eles já a têm; pelo que percebi os quadros são a chave da sabedoria.
- São, mas apenas os enviados conseguem atingir essa sabedoria. Conseguem percorrer o caminho da luz. É preciso ter a simplicidade de uma criança e um amor incondicional para se perceber as pistas.
- Mas a Utima concerteza já atingio essa sabedoria.
- Nunca consegui chegar a Aldeia de Deus. O teu avo dizia que eu não a queria ver.
Será? A sua sensibilidade artística é tão grande que custa a acreditar que não a quisesses ver…
- Não sei! Mas a verdade é que eu gosto é d pintar. Essa é a minha missão cá. A procura de Aldeia de Deus e da sabedoria que encerra cativa-me mas não ao ponto de abandonar as minhas telas e o meu mundo.
- Percebo-a Utima. Não é fácil deixarmos o nosso mundo para embarcarmos em mundo desconhecidos.
- No entanto filha, há riscos que corremos que na altura desconhecemos o seu verdadeiro sentido? Mas, mais tarde, se tornam compreesiveis.
- Penso que é isso que está acontecer comigo!? Estou a correr risco na vida que não sei se mais tarde não me arrependerei.
- Não te vais arrepender pois estávamos à tua espera. Como tal só podes estar no sitio certo.

IN: Aldeia de Deus/Tchehunda Tcha Nzambi
LUEJI DHARMA

sexta-feira, 16 de março de 2012

Tchianda

Os sassa-tchokué Internacional, tem no seu estilo rítmico o som da circuncisão e tchianda adaptáveis à cultura das províncias das Lundas Norte e Sul, quando o Kafundegi mostra a preparação educacional da futura jovem mãe.
Clica Play a baixo para escutar a musica:

Clique no Play para Escutar!!

sexta-feira, 9 de março de 2012

Novo Livro a Falar da Cultura Tchokwe

Luciano Canhanga disse, ao Jornal de Angola, que, entre Maio e Junho, apresenta o segundo livro de sua autoria, “Manongo-Nongo”, dedicado a jovens e a crianças.
O título, afirmou, é o nome de um ritual da tradição tchokwé caracterizado por “uma cerimónia familiar”, que se realiza quando nasce uma criança.
A ideia, referiu, é preservar e enaltecer os valores da tradição angolana e despertar nos jovens o interesse pela cultura nacional.
O livro, de 70 páginas, constituído por 12 contos, declarou, “é uma oferta às crianças angolanas, que vão aprender um pouco mais com histórias de sabedoria transmitidas pelos mais velhos”.
Luciano Canhanga nasceu no Libolo, em 1977. Formado em comunicação social, é jornalista desde 1996. Foi repórter e correspondente da então Radiodifusão Portuguesa África (RDP), editor da Luanda Antena Comercial (LAC) e colaborador do “Jornal dos Desportos” e do diário português “Correio da Manhã”. O primeiro livro que publicou, o romance “O Sonho de Kaúia”, foi posto à venda em 2010, mas, até ao final do ano, apresenta mais dois, o romance “O Relógio do Velho Trinta” e um de poemas, “10 Encantos”


In: Jornal de Angola